segunda-feira, 18 de maio de 2015

Comentam por aí

Eles falam que eu sou louco, mas não estavam lá
Que sou fechado, mas não ouviram o que lhe disse
Que sou incapaz de amar, mas não lhe conheceram
Que homem não deve chorar, e já viram um triste?


"Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada"

(Engenheiros do Hawaii)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ela pode errar

Mesmo eu que prezo graforreicamente por escrever, e escrever corretamente, perdoo os eventuais erros ortográficos que ela venha a cometer. Vá lá, vá lá! Acabo por compará-la, involuntariamente, com uma outra que distribuía as palavras com exatidão, porém mostrava ser precisa em tudo o que fazia, não abrindo espaço às dúvidas. Eu apego-me facilmente aos porquês, então a primeira entra no jogo!

Distante de qualquer definição de relacionamento, nem ficante e muito menos namorada, ela é constante em sua inconstância e sempre dá um jeito de, sem hora combinada, voltar. Estou começando a confiar na possibilidade de este ser um evento que independe da vontade de um ou de outro para acontecer, simplesmente estando marcado para ser e continuar sendo.

Enquanto uns definiram o que irão fazer pela maior parte restante de suas vidas, outros consideram-se bem-sucedidos profissionalmente e alguns mantêm um compromisso há anos, impacta a existência de uma pessoa que não cumpra com a maior parte das obviedades rotineiras e esbanje presença ao seu próprio estilo. 

As convenções sociais e as inacabáveis enciclopédias não ensinam-nos tudo o que precisamos obter de conhecimento. Conviver, ainda que eventualmente, com um ar de imprevisibilidade advindo de alguém especial, faz com que nos sintamos pequenos diante de uma figura que irradia a sua capacidade de reinventar-se. Quem sabe, sabe. 

Mais rápido que o novo acordo ortográfico
Entrou na minha cabeça em um lance mágico
Ao contrário daquele que demorou a vigorar
Ela deixou a sua silhueta sempre a triunfar.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Pense novamente

Atenção! Não devemos confundir:

Vulgaridade com sensualidade;
Audiência com qualidade;
Diploma com sabedoria;
Tumulto com protesto;
Repressão com poder;
Dupla com casal.

Muitos tentarão implantar a ideia de correlação entre os termos citados acima, e tantos outros, criando um padrão falho. São parecidos, mas não iguais.

Ao estar certo de algo, pense novamente. As indagações agitam a mente e não achar uma única resposta para uma dúvida cruel é sinal de que o assunto merece destaque.

Se quem não toma partido facilmente está em cima do muro, como estamos acostumados a escutar, quem o faz desordenadamente tem grande propensão a cair do muro.

Mesmo a segurança excessiva pode ser perigosa, pois o costume pela zona de conforto age negativamente ao cegar os olhos de quem enxergaria além. Fiquemos ligados!

"Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria"

(Legião Urbana)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Em Bento, o inverno chega mais cedo

A neblina lá fora, às seis da manhã
Em pleno outono, me faz lembrar
Que eu estou em Bento Gonçalves
E o inverno não demora a chegar

Carros passam, quase ninguém vê
Milhares levantam da cama cedo
Prepara-se o café, inicia-se o dia
Na cidade do Vale dos Vinhedos

A avó prepara o almoço: polenta
O avô, por sua vez, degusta vinho
Todos reúnem-se na mesa farta
Rezam e compartilham carinho

Imigrantes italianos que partiram
Deixaram a tradição como legado
Que tem educado novas gerações
A cultivar o respeito ao passado

Note-se que são versos sem época
Certos fatos independem da estação
A serra gaúcha é bastante peculiar
O vento é gelado mesmo no verão.

"Bento Gonçalves querida
Bordada de parreirais
Terra estuante de vida
Origem de nossos pais"

(Trecho do hino do município)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O dia da redenção

Foi o dia em que o passado ficou para trás
O presente se tornou motivo de satisfação
Quem tinha pouco, terminou com demais
E quem não tinha nada, ganhou um milhão

Dia em que o ladrão devolveu o que roubou
Todos os povos celebraram a paz universal
O tímido conseguiu chegar lá e se declarou
E optou pelo bem quem havia sido do mal

Nesse dia, os antes tristes estavam sorrindo
O homem de terno cumprimentou o mendigo
Voltaram todos aqueles que tinham partido
E esbanjava serenidade quem corria perigo

No mesmo dia, as religiões se unificaram
Muitos solitários deixaram o seu marasmo
Os mudos foram os que melhor cantaram
E político honesto tornou-se um pleonasmo

O dia da redenção foi uma constante alegria
Nada podia deter o grande senso de justiça
A aguardada segunda chance causou euforia
E realmente sentiu-se uma mudança maciça.

Todos os povos celebraram a paz universal

terça-feira, 14 de abril de 2015

Desentendimento com o entretenimento

A audiência de um reality show me espanta
Afinal, tantas pessoas perdem horas e horas
Cuidando o que desconhecidos irão fazer
Ou na expectativa do próximo a ir embora

Anônimos viram estrelas da noite pro dia
Basta apenas que eles apareçam na telinha
Como se o público inventasse seus heróis
Deixando a grande mídia em maus lençóis

Linguajar e atitudes, por vezes, são vulgares
Os espectadores, todavia, são manipuláveis
O "pão e circo" já foi adotado na Antiga Roma
Entretenimento vazio faz no cérebro um coma

Quem produz um programa de TV é esperto
Sabe que cultura dá menos ibope que burrice
A mente humana é repleta destas esquisitices
Que tornaram o conhecimento um raro objeto.

Câmera já foi exclusividade de segurança.




segunda-feira, 6 de abril de 2015

Nietzsche está morto

Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi um célebre filósofo alemão, autor do famoso e polêmico pensamento: "Deus está morto". Ateu, ele acreditava que as próprias pessoas haviam matado o seu Criador, a partir do contraste entre a idealização de um ser superior repleto de bondade e uma passagem terrena sem a execução do mesmo princípio.

O certo, que foge das dúvidas persistentes da filosofia, é que Nietszsche está morto, ao menos enquanto matéria. Espiritualmente falando, sua valorosa trajetória deixou um legado amplo, fazendo com que o seu nome ainda circule em discussões de cunho intelectual, abrindo espaço à possibilidade de que ele ainda esteja, de outra forma, entre nós.

Friedrich Nietzsche.

Sobre Deus, confrontam-se duas hipóteses que resultam na mesma conclusão: se Ele não existe, não tem como estar morto, já que nunca nasceu; se Ele existe, como ser onisciente, onipresente e onipotente, também não pode morrer, abrangendo o seu reinado universal da substância inicial até após o último suspiro de espécie viva.

Visivelmente, o pensador germânico estava criticando os seus semelhantes, que protagonizam furtos, assassinatos, guerras e outras atrocidades mais, instaurando uma situação caótica que prejudica eles próprios. Mesmo a religião, que deveria prezar pela propagação de mensagens de fé e paz, é uma motivadora de conflitos.

Temos a necessidade de acreditar, ou ao menos supor a existência de um ser superior, porque estamos imersos em uma realidade de difícil aceitação, que se tornaria inviável sem a esperança de uma continuação melhor. Porém, embora pregadoras, as pessoas temem morrer, porque a crença no algo a mais não garante que ele, de fato, exista.

Vida eterna ou grande final? Mistério a ser desvendado.