segunda-feira, 15 de junho de 2015

O retrato de Dorian Gray

Dorian Gray, tu és tão belo, eu sei
Dorian Gray, o teu retrato eu verei
Ainda que ele oculte fatos macabros
Sejam eles sujos ou só incalculados

Tu amas com ardor, és profissional
Conquistas qualquer desventurado
Tua imagem provoca o bem e o mal
Deixas de amar sem achar errado

A filha e a mãe lhe desejam, Dorian
O padre e o cético lhe odeiam, Dorian
Por que tu não envelheces, garoto?
Deixas facilmente o conceito torto

Tu cortejas a filha do teu amigo, Gray
Tu consegues a citada filha, caro Gray
Penso não haver limite para a loucura
Vivendo do prazer e da plena fartura

Enquanto aumentas o círculo social
O teu inimigo chora ensanguentado
Bem sei que não imaginas um final
Mas és morto, quadro mal-acabado.


Tua imagem provoca o bem e o mal


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Uma era que já era

Ei, história inacabada, não venha ocupar meu tempo
Que hoje eu não estou para meias palavras e gestos
Rascunhos de felicidade, agora, não me completam
Esqueça o marujo que lhe declarou sendo honesto

Poderia esperar uma eternidade por um sinal teu
Nada acharia além de um afastamento crescente
Tu acompanhas de camarote o sofrimento alheio
Imagino que concordes com gente pisando gente

Se alguém obtém algo com facilidade, despreza
Se alguém obtém algo com dificuldade, preza
É por isso que tu estás em Netuno e eu na Terra
E é por isso que, assumidamente, lhe quis à beça

Só que não sonho mais contigo como outrora
Nem penso na possibilidade de me reapaixonar
Eu amadureci, é verdade, não se vive de saudade
Me dediquei por inteiro e descarto a tua metade

Excluo o teu contato e é para que tu percebas
Vais perder tudo, lidaste com a situação errada
Mal sabes o que fazes, és dispersa no caminho
Se a tua realidade é ventania, virará redemoinho

Quem acha que comanda, pode se equivocar
Mesmo tendo um imenso séquito de devotos
Bom saber que o questionamento é permitido
Havendo repressão, teu império seria mantido.

Quem acha que comanda, pode se equivocar
Mesmo tendo um imenso séquito de devotos

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A fotografia que seduz

Não sou poeta quando trato com fotos. O poeta é essencialmente romântico, do tipo que aprecia o retrato, se deleita, até chegar ao ponto de enjoar-se e queimar a fotografia sem dó. Eu aprecio, aprecio e aprecio mais um pouco! Vamos combinar: há imagens que merecem uma moldura compatível à beleza demonstrada.

Perco a noção de espaço, mas não perco a foto de quem eu gosto. A quem irei recorrer quando precisar de algo a mais? Não desmereço de modo algum a reza, afinal ela parece fazer milagres às vezes, mas um belo rosto detalhadamente trabalhado estimula e absorve para si aquilo que sentimos. É esplêndido!

Guardo carinhosamente um álbum de tudo o que me faz bem, é assim que não caio. Quando a insensatez do mundo exterior me ferre, recorro às lembranças inesquecíveis de pessoas e momentos únicos, que existem independentemente do tempo que for. Que não venham me dizer que vivo de passado, pois a recordação é uniforme!

Se os nossos olhos tirassem fotografias, seríamos protagonistas de sublimes manifestações artísticas que até aqui só cabem à nossa memória. Serei sincero: podemos compartilhar, por meio de palavras, com qualquer pessoa, a singularidade de determinado momento, porém elas nunca sentirão o que sentimos no ato. Uma imagem fala, e falaria, mais alto.

"As fotos são uma maneira que o ser humano viu
Para atenuar a dor ocasionada pela saudade
De momentos que nunca voltarão."

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Desmitificaram a paixão nacional

Foi-se o tempo em que ir ao estádio de futebol era um evento popular. Os ingressos assumem valores cada vez mais absurdos, o concreto das arquibancadas vem sendo substituído pelos assentos das arenas e, naturalmente, o cidadão comum distancia-se da casa de seu time do coração.

Os sinalizadores não iluminam mais as festas dos torcedores, que, diante de privações e da crescente violência, optam muitas vezes por assistir aos jogos do sofá de casa. A Copa do Mundo no Brasil ajudou a acentuar as diferenças sociais existentes em nossa pátria, fazendo do tradicional esporte um espetáculo para poucos.

O ex-país do futebol agora apanha de goleada. Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldo nada mais são do que mitos eternizados em uma época que já passou, quando a "amarelinha" era verdadeiramente respeitada e o povo podia assistir a tudo. Esqueceram-se do torcedor humilde, do clima de alegria no estádio e, pasmem, do futebol também.

Gol de quem?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Comentam por aí

Eles falam que eu sou louco, mas não estavam lá
Que sou fechado, mas não ouviram o que lhe disse
Que sou incapaz de amar, mas não lhe conheceram
Que homem não deve chorar, e já viram um triste?


"Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada"

(Engenheiros do Hawaii)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ela pode errar

Mesmo eu que prezo graforreicamente por escrever, e escrever corretamente, perdoo os eventuais erros ortográficos que ela venha a cometer. Vá lá, vá lá! Acabo por compará-la, involuntariamente, com uma outra que distribuía as palavras com exatidão, porém mostrava ser precisa em tudo o que fazia, não abrindo espaço às dúvidas. Eu apego-me facilmente aos porquês, então a primeira entra no jogo!

Distante de qualquer definição de relacionamento, nem ficante e muito menos namorada, ela é constante em sua inconstância e sempre dá um jeito de, sem hora combinada, voltar. Estou começando a confiar na possibilidade de este ser um evento que independe da vontade de um ou de outro para acontecer, simplesmente estando marcado para ser e continuar sendo.

Enquanto uns definiram o que irão fazer pela maior parte restante de suas vidas, outros consideram-se bem-sucedidos profissionalmente e alguns mantêm um compromisso há anos, impacta a existência de uma pessoa que não cumpra com a maior parte das obviedades rotineiras e esbanje presença ao seu próprio estilo. 

As convenções sociais e as inacabáveis enciclopédias não ensinam-nos tudo o que precisamos obter de conhecimento. Conviver, ainda que eventualmente, com um ar de imprevisibilidade advindo de alguém especial, faz com que nos sintamos pequenos diante de uma figura que irradia a sua capacidade de reinventar-se. Quem sabe, sabe. 

Mais rápido que o novo acordo ortográfico
Entrou na minha cabeça em um lance mágico
Ao contrário daquele que demorou a vigorar
Ela deixou a sua silhueta sempre a triunfar.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Pense novamente

Atenção! Não devemos confundir:

Vulgaridade com sensualidade;
Audiência com qualidade;
Diploma com sabedoria;
Tumulto com protesto;
Repressão com poder;
Dupla com casal.

Muitos tentarão implantar a ideia de correlação entre os termos citados acima, e tantos outros, criando um padrão falho. São parecidos, mas não iguais.

Ao estar certo de algo, pense novamente. As indagações agitam a mente e não achar uma única resposta para uma dúvida cruel é sinal de que o assunto merece destaque.

Se quem não toma partido facilmente está em cima do muro, como estamos acostumados a escutar, quem o faz desordenadamente tem grande propensão a cair do muro.

Mesmo a segurança excessiva pode ser perigosa, pois o costume pela zona de conforto age negativamente ao cegar os olhos de quem enxergaria além. Fiquemos ligados!

"Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria"

(Legião Urbana)