segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Alter ego

Sobre meu alter ego: possui insanidade
É tresloucado e apronta quando aparece
Sendo difícil que ele passe despercebido 
Tem bastante gente que já lhe conhece

Eu sou calmo e cauteloso normalmente
Assim, fica nítido que nos diferenciamos
Às vezes, temos confrontos peculiares
E, a cada um deles, mais nos separamos

Ora reina tranquilidade, ora há agitação
Dependendo de qual as rédeas assume
Em um mundo de escolhas antagônicas
Se pode ser bálsamo e também chorume

Ele responde pelos problemas causados
Haja vista que eu não tenho nada a ver
Quando meu alter ego chega, eu sumo
Orando para uma tragédia não ocorrer.


Quando meu alter ego chega, eu sumo



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

E-lton e E-stela

Elton é um tanto quanto introvertido
Gosta de rock alternativo e de leitura
Sonha em comandar uma aeronave
Para poder voar longe da mesmice

Estela é vista como um bom partido
Está longe de ser uma garota burra
Não deve existir nada que lhe trave
Quando quer demonstrar faceirice

Começaram a dialogar e gostaram
Um fazia parte do dia a dia do outro
Trocavam informações relevantes
E até apareceram planos comuns

Diante de tudo o que eles falavam
Parecia nascer um casal de ouro
Com raros exemplos semelhantes
Porque possuía virtudes incomuns

Só que o contato foi apenas virtual
Para o desespero dos envolvidos
Que não conseguiram tornar real
Um sentimento de dois escolhidos.


Tu já tiveste um amor virtual?

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Que revolução foi essa?

O dia 20 de setembro é especial para o povo gaúcho, afinal marca o início da Revolução Farroupilha (20/09/1835 - 01/03/1845), a mais importante revolta ocorrida em solo rio-grandense em todos os tempos. Muitos comemoram a data, porém desconhecem informações que poderiam colocar em xeque o suposto caráter revolucionário do processo.

Para começo de história, a Guerra dos Farrapos foi liderada por grandes proprietários de terras que estavam descontentes com o tratamento do Império e lutavam pela manutenção do seu poder. Completamente oposta foi a Balaiada, no Maranhão, por exemplo, que aconteceu na mesma época e se tratava de um movimento verdadeiramente popular, encabeçado pelas massas.

Se evita noticiar, também, que a República Rio-Grandense vivenciou, por aproximadamente dez anos, execuções sumárias, sequestros, apropriações de bens alheios, desvios de dinheiro e estupros. A escravidão, por sua vez, era encorajada: o líder farroupilha Bento Gonçalves, ao morrer, deixou dezenas de escravos aos seus herdeiros. Tu tens orgulho disso?

Acredito que a maior parte dos gaúchos venere a Revolução Farroupilha por considerá-la uma tentativa, ainda que sem sucesso, de separação do estado do restante do país. Não estudou ou pesquisou acerca de pormenores do que ocorreu. Grandes revolucionários costumam despertar admiração na posteridade e é justamente por isso que não admiro os farroupilhas.


O orgulho gaúcho não deve estar atrelado à Guerra dos Farrapos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Criatividade infantil

O ano era 1938 e o matemático Edward Kasner estava em busca de uma palavra que representasse um número muito extenso: dez elevado à centésima potência. Resolveu pedir uma sugestão ao seu sobrinho Milton Sirotta, então com 9 anos, que disse "googol". Edward surpreendeu-se com a sonoridade da palavra e publicou o termo, que não demorou a tornar-se conhecido entre os matemáticos.

Avançando no tempo, em 1997, dois jovens da Universidade Stanford pensavam em um nome para o revolucionário sistema de buscas inventado por eles. Todas as palavras sugeridas já estavam registradas, até que um lembrou do termo googol. O outro, ao transcrevê-lo para o computador, errou na grafia e colocou "google", que estava disponível. O mundo todo conhece esse nome hoje.

Fiquemos atentos ao que as crianças falam.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Resguardo da pátria

Faz 15 anos que ele foi à guerra
E, desde então, não mais voltou
Sua mulher continua no casebre
Recordando tudo o que passou

Tantos planos estão esfacelados
Em nome do resguardo da pátria
Contudo, a bandeira bem tremula
Representada por militar ou pária

O governante motiva o confronto
Pois não terá de pegar em armas
Vê o desenlace pelos bastidores
Enquanto famílias são ceifadas

Não há real vencedor na batalha
Muitos entregam seu maior bem
Tratando com artilharia pesada
Fatalmente se dizima alguém

Histórias ricas resultando em pó
De corajosos que agora jazem
Um pranto que retumba no ar
É o dos que ficam à margem

A mulher ainda está esperando
Já que ele prometeu o retorno
Em uma promessa incumprível
Do soldado morto em Livorno.


Tratando com artilharia pesada
Fatalmente se dizima alguém

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Suposta preocupação

A vizinhança adora fazer fuxico
Fala com prazer da vida alheia
Se não tem história, inventa ela
De futilidade tem a cabeça cheia

Alguém perto comprou um carro
Então é impossível não comentar
Serve de alimento para a cobiça
Vira assunto no almoço e jantar

O vizinho gosta de outro homem
Que escândalo à família "de bem"
Ninguém conhece aquele sujeito
Entretanto julgam mal ele também

Grande entretenimento é fofocar
Para quem mediocremente existe
Olhando de camarote o restante
Sem ver a sua ignorância triste.


A fofoca é comum e, a princípio, parece inofensiva.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Cancha de cimento

Foi numa cancha (local destinado à pratica esportiva) de cimento que, na infância, muito aprendi sobre companheirismo, superação de obstáculos e o valor da simplicidade. Eu e meus amigos nos reuníamos quase que diariamente, sob a tutela do meu pai, para jogar bola (futsal?) em uma quadra de uma pracinha que costumava receber um bom número de crianças.

A gurizada tinha a sua qualidade, até por se dedicar com afinco ao jogo, porém vamos combinar que o local não era dos melhores para fazer rolar a bola: além do piso ser de cimento, não era exatamente liso, rendendo severos machucados a quem caísse. Sem contar que as marcações da quadra eram imperceptíveis e as goleiras sequer possuíam rede.

Em meio a esse cenário obscuro, mesmo assim a gurizada se divertia à beça. Inevitavelmente alguém pagava o pato e se esfolava naquele chão rachado, mas, em uma demonstração e tanto de bravura, logo de recompunha e retornava para a peleja. Sem dúvida, éramos crianças com brios, pelo menos lá no momento do jogo, em que nada mais importava.

Aquela cancha deixou uma mensagem bastante clara: vale a pena lutar pelo que se acredita, ainda que a princípio pareça uma ideia insana. Seria mais fácil jogar futsal em um salão, assim como se apresentam diariamente opções cômodas para que lancemos mão de desafios maiores e mais dignificadores. Se acostume com a cancha de cimento que será moleza jogar em qualquer piso.

Imagem meramente ilustrativa. A cancha era bem pior.