segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Filosofia do contemporâneo

Os professores e pensadores contemporâneos Luiz Felipe Pondé, Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal — este último historiador — caíram nas graças do público brasileiro ao trazerem a reflexão de assuntos pertinentes para além da sala de aula e possuem milhares de seguidores nas redes sociais interessados na filosofia acessível que eles produzem.

Se antes filosofar era considerado um privilégio para poucos indivíduos de conhecimento singular, com a disseminação de informação facilitada pelas redes sociais e a boa vontade dos intelectuais já mencionados a arte de pensar deixou de ser um bicho de sete cabeças. Até temas corriqueiros podem estar recebendo uma interpretação filosófica.

Um dos bons livros que li neste ano foi "Filosofia para Corajosos", do Pondé. Nele, o autor aborda temas como religião, política, economia e comportamento humano de forma crítica e propriamente sarcástica, traçando paralelos com clássicos da filosofia. O maior objetivo do livro é estimular indagações e fazer com que pensemos por nós mesmos. 

Não posso disfarçar a minha satisfação, principalmente, com a constatação de que tem inúmeros nativos digitais interessados nas sábias palavras dos "coroas pops". Como contraponto à correria do cotidiano e ao alvoroço do mundo virtual, nada mais útil que um tanto de reflexão. Parem as máquinas e acendam as luzes do pensamento! 

Um dos livros mais vendidos do Brasil em 2016.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Tudo o que eu faço

Sim, eu faço absurdos
Tomo banho no escuro
Jogo tabuleiro sozinho
Pra poder te conquistar

Danço tango de tanga
Invento um outro hino
Me despeço do mundo
Pra tentar me declarar

Flerto com o abismo
Faço perfil sem foto
Sou ateu na catedral
Pra você se lembrar

Viajo até Bangladesh
Vou de pijama à rua
Salto de parapente
Pra você se tocar

Aprendo mandarim
Saio na madrugada
Escrevo cem cartas
Pra esse fogo cessar

Gosto de beterraba
Encanto a serpente
Uso terno e gravata
Pra esse lance rolar.


"Não há tempo ruim para quem se dedica ao amor."

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Foi pelos ares

O time de Chapecó encantava
Estava numa final continental
Tinha o apoio de toda a pátria
Parecia além do bem e do mal

Até seu avião cair na Colômbia
Chocando ao redor do mundo
Com dezenas de vítimas fatais
Trazendo um sofrimento mudo

Ninguém espera uma tragédia
É muito difícil de lidar com ela
Mesmo que existam explicações
Nossa vida não é mais tão bela

Que tristeza, ó Chapecoense
Tu és querida aqui na nação
Se fizeste chorar de felicidade
Foi nada perto dessa comoção

O fim de novembro foi o final
Para aqueles índios guerreiros
Que serão recordados sempre
Entre os torcedores brasileiros.


Força à Chape para se recuperar da catástrofe.



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fato novo

Cada verso é um fato novo:
Quebra a rotina e encanta;
Às vezes, os males suplanta
E confere confiança ao povo.
Este, devidamente ajuizado,
Se alegra por ser alfabetizado.


Caneta, papel em branco e um mundo de surpresas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Bandeira vermelha

A bandeira vermelha desbotou
Representando ela a vergonha
De um grupo que saiu do poder
E perdeu a força de barganha

O sapo barbudo está velhinho
Fugindo de variadas acusações
Seria, mesmo assim, inocente?
Antes crer em fadas e dragões

A famosa estrela já não brilha
O céu é nebuloso para alguns
Como ao filho mais importante
Da Microrregião de Garanhuns

Nosso país está a se endireitar
Em uma tentativa de melhora
Rejeitando o pessoal canhoto
Para voltar a enxergar aurora

Mas tudo passa, tudo passará
Não é, meu caro Nelson Ned?
Aguardemos os dias futuros
De sonhar, nada nos impede.


O sapo barbudo está velhinho
Fugindo de variadas acusações

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Revista Avessa nº 12

A Avessa é uma revista de jornalismo literário editada no Rio de Janeiro/RJ e publicada em plataforma digital que tem como maior objetivo divulgar material de novos escritores. Dedica-se também a realizar entrevistas com autores renomados para recolher opiniões sobre o mercado editorial e a produzir resenhas críticas sobre obras literárias.

Para a minha honra, a poesia de minha autoria "Desconectado", que trata da sensação de inexistência de alguém que está ausente do mundo virtual, foi inclusa na edição de número 12 da revista, correspondente aos meses de novembro e dezembro de 2016. Contraditoriamente, a participação na Avessa só foi possível graças à conexão.

Clique para ler a Revista Avessa nº 12

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Deu zebra

A expressão "deu zebra" surgiu com o popular jogo do bicho para representar um acontecimento imprevisto à medida que o jogo contava com 25 exemplares de animais e, entre eles, não estava a zebra. Foi rapidamente incorporada à esfera esportiva e, consequentemente, passou a ser largamente repetida pelo público.

Por mais negativa que a expressão possa soar, às vezes é bem interessante que dê uma zebra. No futebol, não é raro que a equipe mais fraca seja apoiada pela maioria dos espectadores neutros, ou seja, que não torcem para nenhum dos dois times envolvidos. O triunfo de um time meia boca sobre um adversário milionário é um grande êxtase.

O que produz tal êxtase é o fascínio que boa parte de nós tem pela imprevisibilidade. Não tenho dúvida de que, por exemplo, a Copa do Brasil de 2004 chamou muito mais atenção por ter o pequeno Santo André-SP vencendo o Flamengo na final do que chamaria se ocorresse o óbvio, uma vitória flamenguista. Deu zebra, foi isso.

Pode ser que estejamos nos equivocando quando qualquer coisa ocorre fora do planejado no nosso cotidiano e perdemos a cabeça. As nossas relações não precisam ser pautadas por uma estática previsibilidade em um roteiro com papéis predefinidos. Que as inevitáveis zebras iluminem o nosso pensamento e nos façam rever velhos conceitos.

A simpática zebrinha da Loteria Esportiva.